A narrativa da substituição é demasiado simples

Sempre que surge uma nova interface, aparece a previsão de que o canal anterior morreu. No caso da pesquisa, essa leitura ignora que o próprio Google está a integrar experiências generativas e agentivas na pesquisa, no comércio e nos anúncios.

A pergunta útil não é “Google ou ChatGPT?”. É: em que momentos a pessoa procura, compara, valida, regressa e converte — e que sinais a empresa disponibiliza em cada um desses momentos?

O percurso já não cabe num funil linear

Uma pessoa pode descobrir um problema num conteúdo social, pedir uma comparação a uma IA, validar reputação no Google, visitar duas páginas de serviço, voltar através de uma pesquisa de marca e contactar por telefone. O último clique descreve apenas o fim.

Ao mesmo tempo, algumas respostas podem resolver a dúvida sem visita ao website. Noutros casos, a IA funciona como camada de qualificação e envia menos visitas, mas com intenção mais definida. Ambas as hipóteses precisam de dados.

Os ativos que atravessam canais

  • Entidade consistente: nome, atividade, morada, contactos e perfis oficiais.
  • Páginas de oferta: serviços e produtos explicados com condições, diferenças e limites.
  • Conteúdo de decisão: comparações, critérios, perguntas e casos que ajudam a escolher.
  • Dados estruturados: marcação que reforça o significado do conteúdo visível.
  • Prova: experiência, autoria, referências e informação atualizada.
  • Conversão mensurável: eventos ligados a resultados, não apenas a interação.

Como redistribuir atenção sem reagir ao ruído

Não retire investimento de pesquisa apenas porque existe um canal novo. Primeiro, separe procura de marca, procura genérica, descoberta assistida por IA e retorno direto. Observe sobreposição e qualidade ao longo de um período comparável.

Depois, reserve uma parcela controlada para experimentação. O objetivo é aprender com uma hipótese explícita, mantendo os canais que sustentam procura e receita enquanto a evidência se forma.

Um painel mais honesto para aquisição

Um mapa de aquisição atualizado deve juntar métricas de exposição, consideração, visita e resultado. Não precisa de fingir que toda a influência é atribuível com precisão.

  • Procura pela marca e termos associados.
  • Origem declarada em formulários ou conversas comerciais.
  • Conversões assistidas e caminhos entre canais.
  • Qualidade, progressão e valor das oportunidades.
  • Conteúdo e páginas que aparecem antes da conversão.
  • Custos de criação, media, operação e seguimento.

Fontes e referências